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Meu cérebro otimista de cada dia! E os pinguins com isso…

(Last Updated On: 8 de agosto de 2017)

Você sabe o que é otimismo irreal? O que é cérebro otimista?

Talvez você saiba, e os pinguins sabem? No final desse artigo, através de uma analogia, os pinguins vão explicar porque ser otimista?

Nascemos para ser mais otimistas que realistas! A neurocientista israelense Tali Sharot realizou um  pesquisa, com seus  colegas da University College of London,  “ O viés otimista” que sugere que nossos cérebros estão conectados para olhar para o lado positivo — e como isso pode ser tanto perigoso quanto benéfico”.

Pesquisadora na área de psicologia positiva estudou a influência do otimismo ou, mais precisamente, do viés otimista nas pessoas. – É uma ilusão cognitiva que pesquisamos nos últimos anos, e 80% de nós tem esse viés.

É nossa tendência superestimar a probabilidade de vivenciar bons eventos em nossa vida e subestimar a probabilidade de vivenciar eventos ruins. Subestimamos então a probabilidade de sofrer de câncer, de estar num acidente de carro. Superestimamos nossa longevidade, nossas perspectivas de carreira. Resumindo, somos mais otimistas que realistas, mas nos esquecemos desse fato.

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O casamento por exemplo: No mundo ocidental, as taxas de divórcio são de aproximadamente 40%. O que significa que a cada cinco casais, dois vão acabar dividindo seus bens. Mas quando se pergunta a recém-casados sobre a probabilidade de eles se separarem, eles calculam que a chance é de 0%. E até mesmo advogados de divórcio, que deveriam saber mais, subestimam imensamente sua própria probabilidade de divórcio. Verifica-se então que os otimistas não estão menos propensos ao divórcio, mas estão mais propensos a se casar novamente.

Nas palavras de Samuel Johnson, “Um novo casamento é a vitória da esperança sobre a experiência”. Se estivermos casados, estamos mais propensos a ter filhos. E todos nós pensamos que nossos filhos serão especialmente talentosos.

De quatro britânicos, três disseram que são otimistas quanto ao futuro de suas famílias. São 75%. Apenas 30% disseram que achavam que as famílias em geral estariam se saindo melhor que algumas gerações atrás.
Esse é um ponto muito importante, porque somos otimistas quanto a nós mesmos, somos otimistas quanto aos nossos filhos, somos otimistas quanto às nossas famílias, mas não somos tão otimistas quanto ao indivíduo sentado ao nosso lado, e somos um tanto pessimistas quanto ao destino de nossos concidadãos e ao destino de nosso país. Mas o otimismo particular quanto ao nosso futuro pessoal ainda permanece. Não significa que achamos que as coisas irão acabar bem como num passe de mágica, mas que temos uma capacidade única de fazê-lo dessa forma.

A maioria de nós se considera acima da média da população na maioria de nossas habilidades, por exemplo: Conviver bem com os outros? Quem aqui acredita que está na parte inferior da pirâmide nos 25% da população, que acha que não convivem bem com os outros? Talvez só 0,5% da população se encontrem nesse percentual. Agora quem acredita que nós fazemos parte dos que estão nos 25% do topo dessa pirâmide? Acho que a maioria de nós acredita que estamos dentro desse percentual.

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Agora pensem o mesmo com a sua habilidade para dirigir? Até que ponto somos interessantes? Até que ponto somos atraentes? Até que ponto somos honestos? Ou até que ponto somos modestos?
A maioria de nós se considera acima da média na maior parte dessas habilidades. E isso é estatisticamente impossível. Não podemos ser todos melhores que os outros.
Mas se acreditamos que somos melhores que o outro indivíduo, então isso significa que estamos mais propensos a conseguir aquela promoção, a continuar casados, porque somos mais sociáveis, mais interessantes. E isso é um fenômeno global.

O viés otimista foi observado, nas culturas ocidentais, nas culturas não ocidentais, em mulheres e homens, em crianças, em idosos. É bastante difundido em vários países.

Mas a questão é: isso é bom para nós? Alguns dizem que não. Alguns dizem que o segredo da felicidade é a baixa expectativa.

Acredito que a lógica seja mais ou menos assim: Se não esperamos grandiosidade, se não esperarmos encontrar amor, ser saudáveis e bem sucedidos, então não ficamos desapontados quando essas coisas não acontecem. E se não ficamos desapontados quando coisas boas não acontecem, e se somos agradavelmente surpreendidos quando ocorrem, seremos felizes.

É uma ótima teoria, mas verificou-se estar errada por três motivos.

Número um:

O que quer que aconteça, caso você tenha êxito ou fracasse, pessoas com expectativas altas sempre se sentem melhor. Porque o modo como nos sentimos quando levamos um fora ou conquistamos o título de funcionário do mês depende de como interpretamos esse acontecimento.

Os psicólogos Margaret Marshall e John Brown pesquisaram alunos com altas e baixas expectativas. E descobriram que quando as pessoas com altas expectativas obtêm êxito, elas atribuem esse sucesso a suas próprias características. “Sou um gênio, por isso tirei A, portanto tirarei A repetidas vezes no futuro”. Quando eles fracassavam, não era porque eram burros, e sim porque por acaso a prova tinha sido ruim. Eles se sairão melhor da próxima vez.

As pessoas com baixa expectativa fazem o contrário. Então quando fracassam, era porque eram burras, e quando obtinham êxito, era porque a prova por acaso tinha sido muito fácil. A realidade os alcançaria da próxima vez. Então eles se sentiam pior.o-que-e-ser-otimista-pensar-fora-da-caixa

Número dois:

Independente do resultado, o mero ato de antecipação nos torna feliz. O economista comportamental George Lowenstein pediu para que alunos de sua universidade se imaginassem recebendo um beijo apaixonado de uma celebridade, qualquer celebridade. Então ele disse, “Quanto de vocês estão dispostos a pagar para receber um beijo de uma celebridade se o beijo fosse dado imediatamente, daqui a duas horas, daqui a 24 horas, daqui a três dias, daqui a um ano, daqui a 10 anos”?

Ele descobriu que os alunos estavam dispostos a pagar mais não para receber o beijo imediatamente, mas para receber o beijo dali a três dias. Eles estavam dispostos a pagar mais para esperar. Mas não estavam dispostos a esperar um ano ou 10 anos; ninguém quer uma celebridade envelhecida. Mas três dias parecia ser o tempo ideal.

Então por que isso? Se você recebesse o beijo agora, estaria tudo resolvido. Mas se você recebesse o beijo em três dias, então seriam três dias de antecipação agitada, com direito a excitação da espera. Os alunos queriam um tempo para imaginar onde iria acontecer, como iria acontecer. A antecipação os deixava felizes.

Aliás, esse é o motivo pelo qual as pessoas preferem a sexta-feira ao domingo. É um fato muito curioso, porque sexta-feira é um dia de trabalho e domingo é um dia de lazer, então você poderia supor que as pessoas iriam preferir o domingo, mas não. Não é porque eles gostam demais de ficar no escritório e não suportam ficar passeando a beira-mar ou fazer uma refeição saborosa. Sabemos disso, porque quando se pergunta às pessoas sobre o seu dia da semana preferido, sábado aparece em primeiro lugar, depois sexta-feira, e depois domingo. As pessoas preferem a sexta-feira, porque esse dia traz a antecipação do fim de semana, e todos os planos que elas têm. No domingo, a única coisa que você pode esperar pela frente é a semana de trabalho.

Então otimistas são as pessoas que esperam mais beijos no futuro, mais passeios a beira-mar. E essa antecipação eleva o seu bem-estar. Na verdade, sem o viés otimista, seríamos todos um pouco deprimidos. Pessoas com uma leve depressão não têm viés quando olham para o futuro. Eles são, na verdade, mais realistas que os indivíduos saudáveis. Mas as pessoas com depressão profunda tem um viés pessimista. Por isso, elas costumam esperar que o futuro seja pior do que acaba sendo. O otimismo então altera a realidade subjetiva.

Número três:

A forma como esperamos que o mundo seja, altera a forma como o vemos. Mas ela também altera a realidade objetiva. Age como uma profecia autorrealizável. E essa é a terceira razão porque reduzir suas expectativas não lhes farão felizes.

O otimismo não está apenas relacionado ao sucesso, ele conduz ao sucesso. O otimismo conduz ao sucesso no ambiente acadêmico, nos esportes e na política. E talvez o benefício mais surpreendente do otimismo seja a saúde. Se esperarmos que o futuro seja brilhante, o estresse e a ansiedade serão reduzidos. Portanto, no fim das contas, o otimismo tem muitos benefícios. Mas a questão é: como mantemos o otimismo face à realidade, porque de acordo com as teorias por aí, quando suas expectativas não são cumpridas, você deveria alterá-las.

Mas foi isso que descobrimos, relata a pesquisadora Tali Sharot. Ela e sua equipe pediram às pessoas que viessem ao laboratório para tentar descobrir o que estava acontecendo. Pedimos que eles calculassem a probabilidade de eles vivenciarem eventos diversos e terríveis em suas vidas. Por exemplo, qual é a sua probabilidade de sofrer de câncer? Então lhe contamos sobre a probabilidade média de alguém como eles sofrerem infortúnios.

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O Câncer, por exemplo, a probabilidade é de aproximadamente 30%. Então perguntamos novamente. “Qual a probabilidade de você sofrer de câncer?” O que queríamos saber era se as pessoas usariam a informação que lhes demos para alterar suas crenças. E elas de fato usaram, mas principalmente quando a informação que lhes demos era melhor do que a que eles esperavam.

Então por exemplo, se alguém disse, “Minha probabilidade de sofrer de câncer é de aproximadamente 50%”, e dissemos, “Temos boas notícias. A probabilidade média é de apenas 30%.” Na vez seguinte, eles diriam, “Talvez minha probabilidade seja de aproximadamente 35%.” Eles aprendiam com rapidez e eficiência.

Mas se alguém começasse dizendo, “Minha probabilidade média de sofrer de câncer é de aproximadamente 10%”, e disséssemos, “Temos más notícias. A probabilidade média é de aproximadamente 30%”, na próxima vez eles diriam, “Ainda assim acho que seja de aproximadamente 11%.” Não é que eles não tenham entendido nada, eles entendiam, mas muito, muito menos que quando dávamos a eles informações positivas sobre o futuro.

E não é que eles não se lembrassem dos números que lhes dávamos, todos se lembram de que a probabilidade média do câncer é de aproximadamente 30% e a probabilidade média do divórcio é de aproximadamente 40%. Mas eles não acreditavam que esses números estivessem relacionados a eles. Isso significa que sinais de alerta como esses podem ter apenas um impacto limitado.

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Sim, fumar mata, mas mata principalmente o outro indivíduo. O que queríamos saber era o que ocorria no cérebro humano que nos impedia de aceitar esses sinais de alerta de forma pessoal. Mas ao mesmo tempo, quando ouvimos que o mercado habitacional está otimista, pensamos, “Oh, o preço da minha casa vai com certeza dobrar.”

Poderíamos alterar o viés otimista das pessoas. Nesse ponto, paramos e nos perguntamos, queríamos destruir a ilusão do otimismo e deixá-la em pedacinhos? Se pudéssemos fazê-lo, gostaríamos de acabar com o viés otimista das pessoas? Já sabemos os benefícios do viés otimista, o que provavelmente faz com que vocês queiram agarrá-lo por toda a vida. Mas existem, e são claras as ciladas, e seria muito insensato ignorá-las.

Um dia recebi um e-mail de um capitão do Corpo de Bombeiros da Califórnia, onde ele dizia que a maioria dos inquéritos que envolvia fatalidades em incêndios, aparecia com frequência nas investigações à citação, “Não achamos que o fogo fosse fazer aquilo”, mesmo quando toda a informação disponível estava lá para tomar decisões seguras. Esse capitão irá utilizar nossas descobertas sobre o viés otimista para tentar explicar aos bombeiros, porque eles pensam da forma como pensam, para deixá-los plenamente conscientes desse viés otimista das pessoas.

Otimismo irreal pode levar a comportamentos arriscados, ao colapso financeiro, ao planejamento falho. O Governo Britânico, por exemplo, reconheceu que o viés otimista pode deixar os indivíduos mais propensos a subestimar os custos e as durações dos projetos, como ocorreu nas olimpíadas de Londres em 2012.

Tenho um amigo que vai casar em algumas semanas e fez o mesmo com o orçamento de seu casamento. E, aliás, quando perguntei sobre a probabilidade de divórcio, ele disse que estava quase certo de que era de 0%.

O que realmente gostaríamos de fazer é nos proteger dos perigos do otimismo, mas ao mesmo tempo permanecer esperançosos, nos beneficiando dos vários frutos do otimismo. Acredito que há uma forma de fazermos isso. A chave realmente é o conhecimento. Não nascemos com uma compreensão exata de nossas tendências. Elas só são identificadas pela pesquisa científica.

Mas a boa notícia é que tomar consciência do viés otimista não destrói a ilusão. É como as ilusões visuais, em que a sua compreensão não faz com que desapareçam. Isso é bom porque significa que devemos ser capazes de encontrar o equilíbrio, para apresentar planos e regras para nos proteger do otimismo irreal, e ao mesmo tempo permanecermos esperançosos.

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Tenho um desenho aqui que retrata bem isso. Porque se você for um desses pinguins pessimista lá no alto que simplesmente não acreditam que podem voar, você certamente nunca voará. Porque para obter qualquer tipo de progresso, precisamos conseguir imaginar uma realidade diferente, então precisamos acreditar que essa realidade é possível. Mas se você for um pinguim extremamente otimista que simplesmente salta às cegas esperando pelo melhor, pode ser que você acabe um pouco estraçalhado quando atingir o chão. Mas se você for um pinguim otimista que acredita que pode voar, mas que acopla um paraquedas às costas para o caso de as coisas não acontecerem exatamente como tenha planejado, você voará como uma águia, mesmo que você seja apenas um pinguim.

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Mauricio Alex, radialista, acredita que só através da motivação pessoal conseguimos superar as armadilhas de nossas mentes. È preciso transformar as nossas crenças e nossos pensamentos em aliados para alcançarmos progresso profissional, espiritual e financeiro.