Foto de Leandro e sua avó no lançamento do livro "Eu, a bolsa de valores e minha avó

Eu, a bolsa de valores e minha avó

(Last Updated On: 14 de novembro de 2016)

Leandro Ruschel: Como alcancei lucros consistentes na bolsa de valores.

Imagem da entrevista dada por Leandro Ruschel sobre a bolsa de valores a Globonews

Conheci o Leandro há nove anos através do seu sócio Alexandre Stormer quando ele veio ao Rio administrar um curso sobre análise técnica e setups para operar no mercado de ações.

Ao voltar para Porto Alegre, Stormer comentou com o Leandro que tinha me conhecido e que o bate-papo durante o almoço tinha sido muito agradável.

Leandro, como bom leonino curioso, logo entrou em contato e marcou um encontro no Rio de Janeiro,  nascendo uma grande e inesperada amizade que felizmente dura até hoje.

Em nossas conversas o empreendedorismo estava sempre presente e a internet era a grande protagonista desses nossos encontros, assim como o restaurante japonês que ficava numa esquina do bairro de Ipanema.

A amizade e a parceria cresceram. Para mim o Leandro foi um pioneiro da Web e um dos primeiros a alcançar através de muito trabalho, foco e determinação o sucesso na internet.

Sua empresa leandrostormer ministrou centenas de cursos online além de disponibilizar gratuitamente toneladas de conhecimentos gratuitos sobre o mercado financeiro. O Leandro é uma das poucas pessoas que conheço que obtém ganhos consistentes comprando e vendendo ações. Existem outros além dele que também vence o mercado, mas considero o Método do Leandro realmente vencedor e com um bom controle de risco.

imagem da página de agradecimentos a mim no livro, "Eu, a bolsa de valores e minha avó.

Em 2012 resolvi que era hora de escrever um livro sobre o método Leandro de operar o mercado de ações, e depois de muita conversa sentei no computador e idealizei o projeto do livro que em 2013 finalmente foi lançado, com o nome “Eu, a bolsa e minha avó”, logo abaixo o Leandro explica a razão do título do livro.

Leandro Ruschel como todo cara jovem e inquieto resolveu mais uma vez que era hora de buscar novos horizontes, onde poderia encontrar mais qualidade de vida. Então partiu há quase dois anos para conquistar na América o que estava faltando no Brasil.

Prestes a se tornar cidadão americano, esse brasileiro agora quer incentivar outros brasileiros a buscar o direito de ter uma vida com mais dignidade dentro do mundo globalizado, ou parte dele.

Leandro Panazzolo Ruschel

“Será que devemos expandir os nossos negócios para o centro-oeste ou fortalecer nossa posição no Sul? ”

“Vale a pena contratar mais pessoas agora. A economia está indo bem, mas pode desacelerar? ”

“Alguém confia nesse Collor? ”

Essas eram conversas que eu presenciava durante o almoço ou jantar em casa, sempre em família, seguindo um dos pilares da tradição italiana.

Meus pais, meus avós e depois mais tarde descobri que os meus bisavós também foram empreendedores. Portanto foi um caminho natural para mim buscar empreender, criar negócios e produzir riqueza.

Na adolescência eu queria gerar uma receita adicional, pois a mesada que recebia dava para cobrir apenas os custos do lanche no recreio do colégio. Pedi emprego na empresa da família e passei a ser office-boy.

Comecei desde então a fazer uma poupança, que era engordada no final do ano com uma premiação que o meu nono instituiu. Era uma disputa entre todos os seus netos em relação as notas recebidas no colégio. Éramos em 7 netos e eu sempre ficava com o primeiro lugar, o que engordava a minha poupança.

Eu gostava muito de estudar, mas não poderia ser considerado um cdf. Eu me interessava mais por entender os conteúdos, a lógica por trás de cada coisa, não em decorar conteúdo e macaqueá-lo nas provas. O meu passatempo preferido era desafiar os professores, especialmente quando eu percebia um grande despreparo.

Lembro que um dia uma professora de geografia soltou na sua apresentação que a Austrália era um dos Tigres Asiáticos. Levantei o braço e perguntei se ela não tinha se enganado, se na verdade ela não estava querendo se referir a Antártica, para risada geral da turma. Eu realmente não podia aceitar uma pessoa tão despreparada falando bobagens na posição de professor. E olha que a minha Escola era a melhor da cidade, possivelmente uma das melhores do estado.

Em pouco tempo percebi que se eu quisesse realmente uma formação mais consistente precisaria buscar conhecimento em outras fontes. Meu passatempo preferido era ler a coleção da Enciclopédia Britânica. Escolhia um tema e ficava horas estudando. A chegada da internet, ainda a manivela, ajudou a pesquisa. Hoje lamento não ter buscado ainda mais arduamente uma formação clássica. Fui descobrir Aristóteles, Platão, Shakespeare entre outros grandes pensadores na época da faculdade.

Passei no vestibular com certa facilidade, em primeiro ou segundo lugar nas Faculdades de Engenharia Mecânica onde tentei. Acabei escolhendo o melhor curso, da UFRGS em Porto Alegre. Com 17 anos saí de casa e fui morar numa república com amigos. Foi uma fase muito interessante da minha vida, centenas de novas pessoas e novas situações. A Engenharia é um curso muito forte, gera um bom conhecimento de matemática, física e lógica.

Mesmo assim a estrutura acadêmica me incomodava. Os prédios da Faculdade eram ruínas. Vários professores com salários de marajá apresentando aulas com má vontade, muitas vezes mandando os seus assistentes ministrarem as aulas. Aquele cenário todo apenas consolidou a minha descrença completa no poder estatal.

De qualquer forma aprendi muito. E foi durante o curso de engenharia que descobri a verdadeira paixão da minha vida: o mercado financeiro. Passei a investir em ações ainda em 97. Tive que abrir uma conta na corretora em nome da minha mãe, pois não tinha idade para tal procedimento.

As primeiras iniciativas geraram grandes prejuízos, mas me deixaram cativado. Por que o mercado se comportava daquela maneira? Nos primeiros livros e artigos que li sobre Bolsa de Valores, era colocado que o segredo do sucesso era comprar ações de boas empresas e ficar longe das empresas ruins

Mas depois de um tempo operando percebi que em várias ocasiões as boas empresas apresentavam forte queda quando elas “deveriam” subir, e as “ruins” apresentavam os melhores resultados. Muitas vezes quando a economia acelerava a bolsa caia e vice-versa. Não fazia sentido!

Aquilo me deixou intrigado e passei a estudar compulsivamente! Lia tudo que encontrava sobre o tema e finalmente encontrei a abordagem da Análise Técnica, que partia do pressuposto que o mercado apresenta vida própria e uma dinâmica específica de movimentação.

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Usando a bagagem matemática que o curso de engenharia proveu, passei a desenvolver as minhas próprias hipóteses e a testá-las no mercado. Com um empréstimo da minha avó passei a ter um capital maior para operar.

Em algum tempo eu estava fazendo dinheiro consistentemente. Fiquei amigo dos monitores dos laboratórios de informática da Faculdade (na época não havia WiFi) e utilizava o homebroker para fazer as minhas operações, outra novidade lançada na virada do milênio.

Foto de Leandro com amigos na bolsa de valores Nasdaq nos Estados Unidos

Naquela mesma época comecei a frequentar os fóruns de discussão sobre o tema na internet, postando as minhas ideias e trocando informações com os participantes. O mercado estava formando um fundo e começou a sua grande alta a partir de 2002.

Nessa mesma época conheci o Stormer, meu sócio até hoje. Juntos, a pedido de participantes desses fóruns, montamos um curso de Análise Técnica com o simples objetivo de reunir interessados no mercado e apresentar as nossas ideias.

Nascia a Leandro&Stormer. Depois do primeiro treinamento em Porto Alegre a notícia percorreu o país como fogo num rastro de pólvora. Em pouco tempo estávamos fazendo cursos e palestras em todas as grandes capitais. O mercado subia forte e todo mundo queria entender como era possível identificar as melhores operações, como fazíamos dia após dia em nosso website.

O negócio cresceu. Creio que percentualmente foi o momento de maiores ganhos na minha vida. O mercado estava fácil e ganhava muito dinheiro operando. A Escola crescia dois dígitos por mês. Não havia mais tempo para a faculdade, que acabei abandonando no último ano do curso, para desespero da minha mãe.

Além de fazer as minhas operações e trabalhar na Escola, surgiu um outro business. A parceria com corretoras de valores. Os nossos alunos precisavam de uma corretora para operar, e foi um passo natural passar a oferecer também esse serviço.

Em poucos anos já éramos a maior Escola de Traders do país, com mais de 20 mil alunos treinados. Tínhamos mais de 8 mil clientes na então corretora Banif.

Em 2011 recebemos uma proposta irrecusável da XP Investimentos para trabalhar com eles. Fazia todo o sentido. Era uma corretora que estava crescendo muito e que oferecia os melhores serviços, portanto foi uma decisão fácil.

A partir de então o negócio alcançou outro patamar, a empresa cresceu, saindo de um grupo de 6 ou 7 pessoas para mais de 30 em poucos meses.

Passei a trabalhar muito mais, com muito entusiasmo. Outras oportunidades surgiram, passei a diversificar as minhas apostas em ramos diferentes. Tecnologia, mercado imobiliário, consultorias e também M&A. Não necessariamente em negócios que eu participo no dia-a-dia, mas onde eu tenho uma presença como investidor ou como conselheiro.

Ainda em 2013 passei a buscar um outro sonho: ter uma experiência de vida fora do Brasil. A situação no país já começava a dar sinais de problemas mais sérios e a violência aumentava, na minha opinião algo insuportável.

Fui convidado pelo Guilherme Benchimol, CEO da XP, a desenvolver um projeto nos EUA e topei na hora.

Fiquei um tempo em Nova Iorque e depois fui para Miami, onde passo o maior tempo com idas eventuais para o Brasil.

Além das várias atividades que mantenho no Brasil, passei a dedicar-me ao projeto de uma escola internacional de traders e investidores, a Liberta Global. A experiência tem sido muito gratificante.

Os EUA são um país fantástico. Mesmo morando em Miami, um lugar considerado “violento” para os padrões americanos, a sensação de poder andar na rua sem medo é indescritível. Aqui tudo é feito para funcionar, a lei vale para todos, as oportunidades de negócios são infinitas, existem pessoas interessantes que vem de todos os cantos do planeta.

E o mercado financeira americano é simplesmente infinito. São dezenas de bolsas, mais de 20 mil ações para operar, opções, futuros, moedas, enfim, só a APPLE, a ação mais negociada por aqui movimenta por dia mais do que 4 Bovespas! O valor de mercado dela poderia comprar todas as ações brasileiras negociadas em bolsa e ainda sobraria um troco de US$ 60 bilhões.

Também há um ambiente fantástico formado por milhares de empreendedores, pensadores e investidores em busca de inovação, da criação de ferramentas e novas formas de enxergar o mundo e revolucioná-lo. Claro que a internet pode aproximar esse ambiente dos brasileiros, por exemplo, mas é diferente quando você tem um contato pessoal in loco.

O mais engraçado é que viver fora do Brasil gerou em mim um sentimento ainda mais forte de responsabilidade com o país e com os brasileiros. Não sei como explicar, mas parece que vivendo numa sociedade mais avançada você percebe o quanto estamos perdendo no Brasil e onde poderíamos chegar com mais organização e empenho.

Hoje além da minha atuação como empreendedor, também estou envolvido com vários movimentos sociais no Brasil com o intuito de reconstruir um país destruído por práticas políticas nefastas, pela perda de valores civilizatórios.

No final o sucesso não pode ser medido apenas por ganhos pessoais materiais como muitos enxergam, mas sim pela nossa capacidade de influência e de iniciativa pessoal para criar uma sociedade melhor para todos. É nisso que acredito e busco colocar em prática dia após dia.

Leandro Ruschel

Eu, a bolsa de valores e minha avó
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Mauricio Alex, radialista, acredita que só através da motivação pessoal conseguimos superar as armadilhas de nossas mentes. È preciso transformar as nossas crenças e nossos pensamentos em aliados para alcançarmos progresso profissional, espiritual e financeiro.