Bruno Balterejo, profissão editor de vídeo

Baltarejo! Profissão: editor de vídeo

Bruno Baltarejo ensina a você como ser um editor de vídeo profissional.

Eu, Mauricio Alex Nunes comecei minha vida profissional na televisão como editor de vídeos, montando programas na Rede Globode Televisão. Em minha opinião é o caminho mais rápido para alcançar a direção geral de programas de TV, ser um diretor de comerciais de tv ou de filmes.

Hoje em dia com a evolução da tecnologia a edição de vídeo ficou ao alcance de qualquer pessoa que deseje se tornar um profissional de edição, sem ficar devendo em nada aos profissionais da TV.

Bruno Baltarejo conta de próprio punho a sua história, do começo difícil até estar entre um dos mais requisitados editor de vídeos independente do Brasil.

Ele também fala sobre a sua formação e seus estudos e, mesmo não sabendo falar inglês, foi buscar novos conhecimentos em livros importados e, com muito esforço e determinação, foi aprendendo as técnicas mais avançadas que ainda não tinham chegado ao Brasil, porém nada o impediu de conquistar seus objetivos. Vamos conhecer agora a história desse profissional da edição de vídeos Bruno Baltarejo.

Bruno Baltarejo

Quando tinha pouco mais de 16 anos eu ainda não tinha ideia de que caminho profissional tomar, provavelmente, como a maioria dos jovens nesta idade, eu nem estava me importando muito com isso. Meu pai é programador, e já teve uma pequena escola de informática, então sempre tive contato e facilidade usando o computador, mas mesmo assim não era uma área de trabalho que me chamava, pensava até em fazer educação física, tentar uma vaga no curso de bombeiro militar, ou algo do tipo.

Nessa época eu me mudei de Curitiba para voltar à São Paulo, que é minha cidade natal. Então saí do trabalho que estava, em uma feira de rua, um trabalho divertido e honesto, mas que não tinha muito futuro e nem oferecia nenhum desafio, e recebi um convite inusitado do meu padrinho, a quem devo muito hoje pelo empurrão, para ser seu assistente em uma das ilhas de edição que ele “alugava” para produtoras.

Eu comecei então a trabalhar numa produtora de vídeo voltada à publicidade. Diversos equipamentos, softwares e profissionais que eu não conhecia, tudo era novo, misterioso e complexo, muito mais desafiador que qualquer outro trabalho que eu já havia feito. Mas ao mesmo tempo, era tudo muito mais gratificante, saber que era uma peça de um sistema complexo, que produzia arte para uma mídia conhecida por todo mundo, mas ao mesmo tempo que todo mundo desconhece os processos e complexidades de trás da tela.

Nos primeiros dias fiquei apenas de observador, no máximo capturando as fitas mini DV para dentro do software, um processo simples de play/rec. E foram chegando novas fitas, diretores, roteiristas, atores, fazendo pequenas reuniões junto comigo e meu padrinho, e seguindo as diversas orientações e expectativas, eles transformavam as diversas cenas capturadas em um filme publicitário. Construindo um storytelling, juntando as cenas, animações, correções de cor, tipografia, diversos softwares e profissionais em conjunto trabalhando por horas para construir um filme de 30 segundos.

O audiovisual me conquistou, e desde então eu não quis trabalhar em outra área. São 10 anos de trabalho e estudo, muito satisfeito. Comecei como editor assistente em São Paulo, com publicidade, editando um pouco em Avid, apenas o processo básico de captura, decupagem, organização, acho uma boa opção para começar na área. Tinha liberdade para tentar ir um pouco além, e estar sempre estudando no trabalho.

Pouco tempo depois voltei para Curitiba, e por ser um mercado fechado tive bastante dificuldade em voltar a trabalhar com vídeo, foi quase um ano só estudando, mas sem ter realmente um trabalho nessa área. Até que tive uma oportunidade numa pequena produtora em uma cidade em Santa Catarina, que precisava de editor/animador para publicidade, eventos e uma campanha política que iria começar. Foi uma boa oportunidade para estudo, pois pude conhecer tipos diferentes de filmes e diretores, editei de tudo, documentário, casamentos e vídeos sociais em geral, publicidade, institucional. Só na época da campanha politica editei mais de 20 programas e 54 comerciais em dois meses, pude além de editar, também ajudar em filmagens e criação. O desafio e o contato com profissionais diferentes são as melhores maneiras de aprender.

Quando voltei à Curitiba, no ano seguinte, ainda tive dificuldade para entrar na área, mesmo tendo já um reel com muitos vídeos produzidos. Um dos principais motivos era não ter cursos e certificações até então, nem trabalhado em alguma produtora de peso e nem contatos na cidade, era um desconhecido. Consegui entrar numa produtora de conteúdo educacional, com muitos outros editores, diretores, animadores e designers, era uma empresa imensa, mas com uma mente pequenininha.

Ainda usavam mini DV quando o digital se fortalecia, a 5D era a câmera da vez, e a mídia era cada vez mais em HD. Muitos dos diretores e editores tinham anos de mercado, mas estavam estacionados, em uma posição confortável, em uma empresa sólida, que precisava deles, mas que ao mesmo tempo não gerava desafios, eles não sentiam a necessidade de criar e de aprender mais, não era muito motivador para mim que já era profissional. Mas era um trabalho garantido e sobrava um pouco do salário para comprar livros, fazer cursos, e realmente me profissionalizar na área.

Nos anos que fiquei nesta empresa aproveitei para estudar, estava com medo de estacionar como muitos outros colegas, e não pude produzir mais filmes desafiadores, trabalhava rapidinho e tirava um tempo para ler livros sobre os processos audiovisuais, edição e storytelling, software de edição, pós-produção, animação, 3D, color grading, fotografia, composição, sobre vídeo digital, entre outros. O maior desafio foi aprender inglês na marra, lendo os livros, pois existem poucos títulos relevantes nesta área que são traduzidos. Comecei a trazer esse conhecimento que fui adquirindo para os trabalhos na produtora, ajudar outros colegas, ensinar, aprender, trocar experiências e tentar motivar os demais à minha volta.

O Bruno indica pra gente o livro “Num piscar de olhos: A edição de filmes sob a ótica de um mestre” de Walter Murch, para quem quer trilhar o caminho da edição de vídeos. O autor analisa a relação entre corte, continuidade e descontinuidade, traçando paralelos também entre filmes e sonhos, e entre o estado de espírito do espectador e a freqüência de seu piscar de olhos.

Com o tempo fiz alguns cursos em um centro autorizado da Adobe, e tive interesse em fazer as provas de certificação, para ter um adicional do currículo que realmente comprovasse meu conhecimento da ferramenta de trabalho. Comecei pela prova de Photoshop, estudei a fundo o software, li vários livros da Adobe, fiz curso presencial e online pelo Lynda.com (que altamente recomento para quem entende bem inglês) e tudo que não achei uma resposta ou ainda tinha dúvida pesquisei no help da ferramenta. A prova era de múltipla escolha, sem consulta, sem o software, em inglês, e num cubículo sendo filmado, estava muito nervoso, mas consegui passar, quase no limite da pontuação, mas passei, a prova era U$180, não podia fazer de novo.

Quando o centro de treinamentos soube, fui convidado para dar aulas para eles, foi quando minha área passou a se dividir em duas partes, ativamente dentro da produtora como editor/motion, e também como instrutor na sala de aula. Nesse momento eu mudei de produtora, entrei novamente numa produtora grande de publicidade e institucional, a primeira de várias em que tive o prazer de colaborar nesses diversos anos trabalhando com produtoras de Curitiba. Hoje, como freelancer, atendo muitas dessas produtoras pelas quais passei, não só como editor/motion, mas também dando cursos e consultorias.

Nós últimos 5 anos tirei certificações dos 5 softwares que mais uso, nas 3 últimas versões de cada, e recebi um título especial de Video Specialist da Adobe. Como instrutor já lecionei em 5 centros de treinamento, formei muitos profissionais que hoje atuam em produtoras muito legais, como o pessoal da The Youth e da WakeUp, dei palestras em várias faculdades e eventos, tenho treinamentos em alguns portais online e meu próprio canal de aulas no YouTube. Um netwok incrível, uma enorme troca de experiências, e talvez a segunda maior fonte de aprendizado. Aprendi muito com meus alunos e estou sempre aprendendo.

Algumas produtoras que trabalhei em Curitiba foram a Soft Filmes, Milk Films, Filmecenter, Cronos Filmes, até me tornar freelancer, e poder ter contatos com produtoras novas e jovens, que vivem uma realidade diferente de propostas de trabalho, como a Thrunkshot, The Youth, RG, Ação Integrada, que atendem marketing interno, videoclipes, documentários e campanhas online.

É um grande desafio trabalhar por conta própria, no começo dá aquele medo de não ter trabalho e não poder pagar as contas, mas se você criar contatos antes, pessoas que gostam de trabalhar contigo, que confiam em ti, você sempre terá quem lhe indique, e assim naturalmente os trabalhos vão aparecendo, até chegar uma hora que você vai ter medo é de não ter tempo livre.

No mercado atual existem muitos profissionais independentes, uma câmera DSLR, uma ilha de edição, não são mais equipamentos com valor de investimento muito alto. Abrindo um CNPJ MEI você já pode atender empresas com contratos e notas com um valor mensal de impostos muito baixo.

Os softwares também são muito baratos, como o Creative Cloud da Adobe e a versão free do DaVinci resolve. E a internet, YouTube, Facebook, Instagram, abrem portas para muito mais produções audiovisuais. Hoje a publicidade não está mais só na TV, aliás, atualmente existem muito mais oportunidades fora dela. Com o crescimento da internet o que não falta são trabalhos para serem feitos e com realidades orçamentárias bem diferentes daquelas vivenciada pelas antigas produtoras.
As verbas podem alcançar valores milionários para as produções mais complexas e pequenos valores para produções mais modestas com orçamento que não chegam nem a mil reais, mas que abrem os caminhos para os iniciantes, pequenas produtoras, youtubers, e etc..

A internet e os custos de produção estão levando as grandes produtoras a trabalharem cada vez mais em parcerias com freelancers e pequenas produtoras sem perder a qualidade do trabalho que será entregue ao seu cliente. Talvez essa seja a melhor época para se tornar um filmmaker, está tudo a mão, basta querer estudar, praticar e se desafiar.

Baltarejo! Profissão: editor de vídeo
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Mauricio Alex, radialista, acredita que só através da motivação pessoal conseguimos superar as armadilhas de nossas mentes. É preciso transformar as nossas crenças e nossos pensamentos em aliados para alcançarmos progresso profissional, espiritual e financeiro.