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A motivação profissional constrói um pequeno oásis dentro de um hospital público

(Last Updated On: 26 de setembro de 2017)

Como jovens médicos, através da motivação profissional, conseguem realizar grandes feitos dentro de um hospital público.

Eles são os doutores da esperança!

No início da semana passada, por volta das 11 horas da manhã, houve um acidente envolvendo uma pessoa da família. Ela foi atropelada por uma Ranger Rover e teve algumas fraturas expostas nos dedos dos pés. A pressa de chegar ao destino, leva as pessoas a cometerem um erro muito comum e enraizado em nossa sociedade, o de atravessar ruas e avenidas movimentadas fora do semáforo.

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Como não conseguia se levantar do asfalto por causa da dor das fraturas, logo surgiram pessoas que a socorreram e chamaram rapidamente a ambulância do Corpo de Bombeiros, que em minutos, já estavam realizando os primeiros socorros.

O acidente poderia ter consequências mais sérias, caso não tivesse havido pronto atendimento realizado pelos bombeiros, que a encaminharam para a emergência do Hospital Miguel Couto na zona sul do Rio de Janeiro.

Motivação no ambiente de trabalho

É lamentável a condição de penúria que vive o sistema de saúde no Brasil. Assim que entrei no hospital pude constatar que os médicos, enfermeiros e o pessoal que faz com que as coisas aconteçam naquela unidade hospitalar, são pessoas altamente motivadas dentro do seu ambiente de trabalho.

Ao passar um dia inteiro dentro do departamento de Traumatologia e Ortopedia do Hospital Miguel Couto pude observar que praticamente todos que ali trabalham são jovens e motivados profissionalmente, com a consciência de quem sabe da importância deles para a população.

As ambulâncias do SAMU, do Corpo de Bombeiros chegavam a todo momento trazendo novos pacientes, alguns graves, outros menos e havia também os gravíssimos, afinal, um tiroteio intenso na favela da Rocinha acontecia naquele dia, 18 de setembro de 2017.

No início da tarde, vários funcionários do hospital que moram na Rocinha “abandonaram” o serviço e foram para casa. Os traficantes haviam decretado, para todos moradores, o toque de recolher.

Pronto! Agora a situação complicou de vez, pensei.

O meu parente que ainda estava numa maca no corredor do hospital esperando por uma vaga no centro cirúrgico, começou a querer sair dali para um hospital particular.

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Seria realmente bem melhor, porém no Miguel Couto o atendimento cirúrgico para acidentados e feridos a bala, por causa do seu grande movimento é considerado muito bom.

Como estava demorando o atendimento cirúrgico para uma pessoa com fraturas expostas, resolvi ir até a sala dos médicos do departamento de Traumatologia e Ortopedia.

Percebi então um jovem médico chamado Eduardo conversando com outro jovem doutor chamado Allison Venturini, que vestia camisa preta e calça preta, apesar da vestimenta diferente, vi naquele médico algo que me tranquilizava.

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Esperei ele terminar de ver os raios X para perguntar se ele faria a cirurgia, prontamente ele balançou a cabeça afirmativamente, mas que naquele momento seriam necessárias novas radiografias.

Ficamos aguardando o maqueiro que iria levar meu parente para fazer novas radiografias.

Porém, como disse anteriormente, os funcionários que moravam na Rocinha tiveram que voltar para suas casas e respeitar o toque de recolher determinado pelos traficantes.

O Hospital Miguel Couto, por ser próximo a comunidade da Rocinha, abriga grande parte de sua mão de obra.

Liderança e Motivação

Nesse momento, o jovem Dr. Allison Venturini mostrou toda sua grandeza e valor, que somente os líderes motivados possuem.

Ele mesmo, que dentro de algumas horas estaria comandando aquela cirurgia, levou a maca e a paciente para o segundo andar, onde realizou novas radiografias para certificar-se do melhor procedimento a seguir.

Além disso, puxou a maca até uma enfermaria onde ficamos aguardando por aproximadamente duas horas a liberação de uma sala no centro cirúrgico.

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Dentro dessa enfermaria pré-operatória, jovens residentes trabalhavam com que tinham de recursos para poder levar algum alívio aos pacientes.

Dr. Allison Venturini de volta à enfermaria, coloca o soro, pega a maca e sai em direção ao centro cirúrgico com o nosso familiar.

Esse jovem médico assumiu praticamente sozinho todas as etapas do procedimento que iria realizar e demonstrou o tempo todo a segurança de um médico veterano.

Enquanto ele se dirigia para a sala cirúrgica, nos avisou que a intervenção iria demorar duas horas e meia e que faria depois novos raios X para ter certeza que tudo tinha ocorrido como previsto.

Afinal, foi necessária a colocação de alguns fios de metal essenciais para fixar alguns ossos.

Motivação pessoal

Dr. Allison era imparável, fazia uma cirurgia atrás da outra durante seu plantão. Só o vi mais uma vez naquela noite.

Mas com certeza jamais esquecerei aquele jovem médico vestido de preto, que com sua determinação convenceu a todos os parentes a acreditar que naquele momento ele era a melhor opção.

Passadas as primeiras 24 horas meu parente recebeu “alta”, depois de passar a noite na enfermaria sem nenhuma condição, faltava tudo, lençol nem pensar.

Ao deixar o hospital, procuramos alguns médicos particulares para ouvirmos suas opiniões a respeito dos ferimentos.

Todos foram unânimes em afirmar que os procedimentos realizados estavam corretos.

Agora só resta seguir rigorosamente os tratamentos prescritos para evitar problemas futuros em decorrência das fraturas. Só saberemos com certeza daqui a seis semanas.

Conclusão

logo-traumatologia-ortopedia-motivacao-profissionalO Departamento de Traumatologia e Ortopedia do Hospital Miguel Couto no bairro do Leblon é um oásis dentro do setor público da saúde da Cidade do Rio de Janeiro. Apesar do trabalho intenso e da falta de recursos, seus jovens médicos, atendem a população com respeito, rapidez e qualidade mesmo dentro das condições de penúria que se encontram nossos hospitais.

Dr. Allison Venturini e seus colegas conseguem, com dedicação, levar um pouco de conforto a quem chega naquela unidade precisando de atendimento de urgência. Nem tudo está perdido.

A motivação profissional constrói um pequeno oásis dentro de um hospital público
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Mauricio Alex, radialista, acredita que só através da motivação pessoal conseguimos superar as armadilhas de nossas mentes. È preciso transformar as nossas crenças e nossos pensamentos em aliados para alcançarmos progresso profissional, espiritual e financeiro.